14/03/09

Neighbours

Só mesmo neste bairro...

- numa das vivendas vive uma ovelha que anda pela casa como se fosse um cão e até vai à rua com uma trela. Quem me contou foi a minha vizinha do lado, que da primeira vez que viu a dita ovelha, como ainda era bebé, até pensou que fosse um caniche. Mas depois a respectiva dona explicou-lhe que a ovelha lhe tinha sido oferecida e ela não sabia o que fazer porque já toda a família estava afeiçoada e não a conseguiam matar. Bem haja!!! Ou deveria dizer, méééé!!!

- a mesma vizinha, que não entra ou sai do prédio sem vir à minha janela fazer festinhas à "bailarina" (Emma) - meu deus como a Emma ADOOORA a minha vizinha -, dava pedacinhos de fiambre a uma gatinha preta com a pata partida que dormia numa das floreiras da varanda da sala dela. A gatinha tinha o mesmo nome que a filha da minha vizinha até ter sido adoptada por outro morador aqui do bairro. Agora não sei que nome tem, mas haviam de ver o despeito com que a minha vizinha se queixa de lhe terem "levado" a Ritinha.

- a mesma vizinha recebe serenatas de um pavão a quem baptizou de Toni Carrera (no jardim aqui do bairro há outro pavão chamado Pavarotti). Quando os pavões saem do jardim e andam a passear aqui pelo estacionamento é de morrer a rir. Mas este fica à janela dela até ela lhe dar comida - o fiambre que dantes era para a Ritinha. ehehe

- o meu prédio tem dois porteiros muito especiais: o Crispim (um gato tartaruga) e o Gui (um gato preto). Vão comer e dormir à garagem por baixo do meu quarto, que por sua vez pertence à minha vizinha que é senhoria da minha vizinha do lado e que é comadre de uns outros vizinhos aqui do prédio. (A confusão é ainda maior se vos contar que os primeiros donos da minha casa ainda vivem cá no prédio. Enfim, somos todos uma grande família.) O Crispim entra e sai, porque vai dormir a sesta a casa dos meus vizinhos de cima e quando se farta pede para ir novamente para a rua. Não sei exactamente quando é que o Gui apareceu por aqui, mas o Crispim sei que está cá desde que nós também nos mudámos (há mais de 2 anos) e chegámos a tentar ficar com ele mas ele não foi na conversa. É o gato mais cão que conheço, toda a gente lhe faz festinhas e ele até vai passear juntamente com os cães (não com os meus). Ele agora está doente e uma das suas "madrinhas" leva-o ao vet sempre que ele precisa.

- o prédio dos meus sogros, na rua abaixo, também tem uma porteira. É uma gata preta chamada Margarida (hehehe) que vive numa casinha de madeira decorada com desenhos feitos pelos filhos dos vizinhos dos meus sogros. Ela é muito esperta: nas arcadas do prédio há uma casa de congelados e ela tem direito a comer peixinho todos os dias...

- no Verão passado, na mesma noite em que o Dono trouxe a Mia da rua, os outros manos dela foram todos recolhidos por diferentes vizinhos. Só o soube depois, em conversa com as tais velhotas que sabem tudo sobre as pessoas e os animais do bairro. Fiquei sensibilizada porque sem que ninguém tivesse combinado todos os gatinhos bebés foram salvos e não chegaram a ficar na rua muito tempo.

- há comida com fartura para as colónias de gatos que vão aparecendo aqui e ali. Numa das ruas só há gatos pretos (cheguei a contar 6), perto do quarteirão das vivendas há outra colónia mais pequena, dentro do jardim nem faço ideia de quantos gatos por lá andarão. O que eu sei é que se solto a Emma ou o Sushi (que já aprendeu com ela) essa comida desaparece porque eles já conhecem os spots todos...

- no prédio do lado, no mesmo apartamento onde mora a Jessie, uma Weime por quem o cão dos meus sogros é apaixonado (logo ele que é um pisco de cão eheheh), mora também o Gigi, um gatarrão branco e cinzento. O Gigi tem licença para entrar e sair de casa a seu bel-prazer, mas o que ele gosta mesmo é de estar deitado na floreira do quarto da sua dona, onde até tem sempre um galho para quando quer fazer manicure.

- por fim, para além dos pavões do jardim, das colónias de gatos e dos muitos cães que há em todo o bairro, há também os patos. Existe um pequeno ribeiro que vem do jardim e passa pelo estacionamento em frente ao meu prédio. Às vezes os patos saem do jardim para fazer um pouco de turismo. O problema foi que, numa destas noites mais invernosas, a corrente arrastou 6 patinhos bebés e um dos meus vizinhos apercebeu-se e decidiu salvá-los. Com a ajuda de outra vizinha (a tal que é comadre dele e senhoria da outra), apanharam os patinhos e levaram-nos para passar a noite resguardados na garagem (porque essa minha vizinha tem duas cadelas e dois gatos e a coisa não ia correr bem), para no dia seguinte irem soltá-los novamente no jardim, porque àquela hora já estava fechado, claro. Enquanto a minha vizinha foi buscar um alguidar e umas mantinhas a casa eu fiquei a fazer de babysitter aos patinhos no hall do prédio e deliciei-me com aquelas miniaturas peludinhas, que me davam bicadinhas nas mãos e faziam cócegas.


Neste bairro, que parece saído de uma história infantil, toda a gente gosta de animais. Nunca ninguém se queixou por eu ter dois cães enormes dentro de um apartamento ou por eles às vezes ladrarem a altas horas. Pelo contrário, toda a gente os conhece e os cumprimenta. Eles fazem as delícias dos meus vizinhos aqui do prédio! Infelizmente, sei que esta minha sorte (e é mesmo uma enorme sorte) é uma excepção. Há prédios onde o regulamento proíbe a existência de animais. Há muitas pessoas que sofrem porque os vizinhos que embirram com o cheiro ou o barulho ou os pêlos dos animais.

Por isso, ainda bem que vim parar ao bairro certo. Não tenciono mudar-me para outro tão depressa...

7 comentários:

Quistis disse...

Que confusão!!
Nem sabes a inveja que tenho deve ser lindo viver rodeado de gente que gosta de animais,e essa mistura toda deve ser fantástico..

Van Dog disse...

Tão giro!!
Podias fazer uma reportagem para uma revista. É uma história linda! :)

Sónia disse...

Tão bom!!!!!!!!!

Claudia Estanislau disse...

realmente era uma história gira para uma revista, parece mesmo saída de um conto de fábulas, mas existem mais por aí, só custa é encontrar-los :D

Uma dona babada disse...

hehehe grandes ideias! talvez para a newsletter do sos animal... quem sabe?
enfim, tenho mesmo muita sorte em ter vizinhos assim!!!

MCÉU disse...

" o meu prédio tem dois porteiros muito especiais: o Crispim (um gato tartaruga) e o Gui (um gato preto)."
Apenas um reparo sobre esta frase : Minha krida o Crespim não pode ser um gato macho, se é tartaruga no reino felini é sempre uma femea, Ok ! Tens que lhe chamar Crespina! beijos

Carracinha Linda! disse...

Que bom que era existirem mais pessoas assim!