13/07/10

Das viagens

Conheço poucas pessoas que não gostem de viajar. Afinal, o que há para não gostar? E "é bem" dizer que gostamos de viajar, admitamos...
Tive a sorte de ter viajado pela Europa fora com os meus pais, de carro, a acampar, a comer sandes, a fazer fosse o que fosse, porque erámos quatro e o dinheiro não esticava, mas ao menos íamos conhecer o mundo. O Dono não teve tanta sorte assim, ou porque tem irmãos mais novos e eram sempre pequeninos demais para essas andanças e por altura de crescerem já ele não vivia com os pais, ou porque os pais não tinham o mesmo espírito se-for-preciso-durmo-no-carro que os meus tinham. Não importa. Ele não viajou tanto mas também (ou talvez por isso) não se rala muito com isso.
O que nos leva de volta ao início. Conheço poucas pessoas que não gostem de viajar, mas casei com uma delas.

E por isso nós não viajamos para lado nenhum. Não é pelo dinheiro, não é porque não ficamos descansados deixando os cães para trás, não é porque nem sempre temos dias de férias a bater certo um com o outro. É, sobretudo, porque nunca nos esforçámos realmente para ultrapassar todos esses obstáculos (reais, obviamente, mas não completamente impeditivos).

São opções de vida... Cada um faz a sua. Se calhar há quem gaste todo o dinheiro a ir para o Brasil e nós preferimos comprar um carro a pronto para não termos prestações. Se calhar há quem prefira não ter amarras e responsabilidades e nós preferimos ter uma boa casa e dois cães que são a alegria dessa mesma casa. Mas, somos novos, podemos fazer as opções que quisermos agora e outras daqui a uns anos, o futuro não está escrito e ninguém diz que nunca iremos a todos os sítios que quisermos ir (começando por Nova Iorque, que é a nossa viagem de sonho, e felizmente aqui o plural aplica-se). Claro que, tendo dois cães de quem gostamos tanto, assegurar que são bem cuidados durante uma eventual ausência nossa implica custos e isso encarece qualquer viagem que façamos, em comparação com quem não tem de considerar essa situação. Mas, se tivesse de escolher, continuo a preferir ter os cães e não viajar.

E quem diz viajar diz alugar um barco ou uma autocaravana ou seja o que for. Não estou a enfiar a cabeça na areia e a negar que os cães nos limitam muito em termos de férias. O que estou a dizer é que acho que mesmo que não os tivessemos o mais provável era que não fizessemos nada dessas coisas à mesma. Porque surgiria sempre uma outra razão, se à partida a disponibilidade mental e a força de vontade não estivessem presentes.

Não me arrependo de nenhuma escolha e não gosto que critiquem as minhas escolhas. E dispenso que me digam que devíamos era viajar e que os culpados por não irmos são os nossos cães. Afinal, se nós os dois, que é quem é para aqui chamado, somos felizes assim, quem é que tem moral para nos dizer o que deviamos ou não fazer da nossa vida???

5 comentários:

Rutha/Pink/Barum/Luna disse...

Gostei muito do post. Você sente o mesmo que todos os "donos" de cães e gatos. No post anterior você diz que os cães são sua família, e como viajar e deixar uma parte da família pra trás, sem sofrer ou se preocupar?
Todos nós passamos por isso. Já deixei de viajar muitas vezes por causa dos cachorros. Não sofro por isso, fiz uma escolha e eles são muito importantes na minha vida.
Vocês são jovens ainda e muitas oportunidades aparecerão.
O Barum manda lambidas à Emma

Uma dona babada disse...

A Emma retribui as lambidelas do Barum :)

Van Dog disse...

Parece que andam todos sempre a tentar julgar todos...

Ao menos a canzoada sabe o que é importante: viver!

Uma dona babada disse...

ora nem mais!

Lígia disse...

Poças, que isso anda difícil para os vossos lados...Isso são fases, a mim já passou (por ora) a maré negra de me tarem sempre a julgar em relação aos animais...mas tb se não me julgarem por isso, é por outra coisa, portanto "been there, done that";)
O melhor a fazer é ter um sorriso na cara e plena consciência de que quem corre por gosto não cansa;)