03/12/09

ALARM!!!

A minha mãe disse-me, com um ar resignado, que estava a pensar deixar o meu pai ter um animal, como prenda de Natal. Ela disse "deixar ter" e "animal", em vez de "fazer uma surpresa ao teu pai e adoptar um cão". E disse também que o dito "animal" teria de passar primeiro por ela para ser aprovado. Tipo, teste de admissão à faculdade. Todos os meus alarmes de ameaça nuclear dispararam, obviamente.

Tentei incutir-lhe algum bom senso, e a conversa foi algo do género:
- Então e se o cão roer alguma coisa lá em casa?
- Ai, não pode.
- Como "não pode", mãe? Não só pode fazer, como vai fazer. Mais cedo ou mais tarde vai estragar alguma coisa.
- Não, se já for adulto não estraga nada. Não é?
- Não, não é. Estraga menos do que um cachorro, claro, mas estraga, suja, larga pêlo, arranha, corre, faz essas coisas todas. É o mesmo que dizer a uma criança para não chorar nem sujar uma fralda?
- Oh! Que raio que comparação! Pronto, está bem.

Aparentemente ela desistiu da ideia. Falei-lhe da responsabilidade, da prisão, das despesas, de tudo. Ela não deu luta nenhuma, porque não precisa de ser convencida, pois na realidade ela não quer ter um cão nem um gato nem nenhum animal. Aliás, ela admitiu que a única cadela de quem gosta é a do meu irmão. Oh que surpresa, a minha mãe nem nisso esconde a preferência... A desculpa dela é o ladrar, diz que não gosta de alguns cães porque o ladrar é muito estridente. A verade é que ela não gosta de animais, não percebe a cena. Para ela só dão os de peluche ou de loiça (a minha mãe é daquelas que fica com um risinho nervoso e uns "ais" mal um focinho molhado lhe roça as pernas).

Claro que eu fico com pena pelo meu pai, que cresceu no campo, e adora cães, e sente-se sozinho (ele está reformado mas a minha mãe ainda não) e etc etc etc. Mas não posso, em consciência, incentivar a ideia de eles adoptarem um cão, porque acho realmente que é preciso toda a família estar de acordo e estar disposta a tudo o que isso implica. E ninguém me tira da cabeça que ela só me veio com esta conversa, sabendo como eu iria reagir, para depois um dia poder dizer ao meu pai que é apenas por minha culpa que eles não têm um cão.

E claro que também tenho a noção de que há muitos cães a precisar e que ao fechar os olhos e entregar um aos meus pais uma vida seria salva.

Mas... é a minha mãe e eu sei a mãe que tenho.

Estou triste, mas tenho a consciência tranquila.

7 comentários:

Van Dog disse...

Também acho... Há situações em que mais vale antecipar os problemas - para não se tornarem 100 vezes maiores... :(

Alice disse...

Sim... Concordo contigo!

Sónia disse...

E tua acreditas que a minha Mãe estava disposta a adoptar um cão e agora é o meu Pai que não quer?!?
Ela que nunca sequer falava no assunto!!

Eu achao que ele não quer porque depois os meus gatos não podiam ir para lá!
E por acaso a minha mãe até sabe o que é ter animais! Tivemos um cão que morreu ainda bebé e ela jurou que nunca mais queria animais!

Claudia Estanislau disse...

tenho muito respeito por quem pensa como tu.. nem todas as pessoas têm esse bom senso, a maioria tenta convencer a parte que "não gosta de animais" que tudo vai correr bem e depois não corre claro!

A miúda das letras disse...

Parece que a tua mãe queria muito fazer uma boa acção mas não sabia onde se ia meter.

Inca disse...

é verdade cão ou gato só para quem gosta muito, senão é mt complicado.bjs

Carracinha Linda! disse...

Adoptar um bichinho, sim. Mas é óbvio que há que ter consciência das responsabilidades que isso acarreta: ir á rua, ao vet, ver a casa com pelos, alguma coisa estragada... há pessoas que não estão aptas a receberem um animal. Tu fizeste muito bem em esclareceres a tua mãe de nem tudo seria fácil.

Bjs