- Agora é hora de arrumar os brinquedos. Vá, vamos todos ajudar-te.
- A mamã e o papá ajudam. A Emma e o Sushi não. Eles não têm mãos.
Uma cadela hiperactiva, um cão traumatizado, um Dono relaxado, uma Dona babada... e agora uma Danoninha sanguessuga. Enfim, uma família de doidos!
08/08/13
04/05/13
Obrigada... mas... não, obrigada!
Já há algum tempo que não vamos para fora nas férias. "Para fora" é tão simplesmente ir para a casa dos meus pais no Algarve e não realmente para fooooora. É o único sítio onde podemos levar os cães à vontade, portanto é o único sítio onde passamos férias. Ou então ficamos por cá - que é o que tem acontecido nos últimos tempos por uma sucessão de motivos.
Neste verão iremos. Mas agora além dos cães há que considerar que existe a Danoninha e que naquela casa não está nem remotamente preparada para a receber - a varanda é perigosa, as janelas perigosas são, não há trancas nos armários, nem amortecedores nas esquinas, nem proteção nas tomadas, o gás é de botija, é preciso guardar a lenha da lareira fora de alcance, etc etc etc.
Os meus pais estiveram lá estes dias e por isso aproveitámos para fazer um levantamento e pensar bem nestas questões. Porque quem diz estas férias, diz as próximas, diz as férias que ela fará com os avós, etc.
A minha mãe quer decorar o meu antigo quarto (entretanto ocupo o que era do meu irmão porque tem cama de casal) para ser o quarto da princesa. Mas eu o que quero mesmo é poder ter umas férias sem andar sempre stressada com os perigos - ainda para mais desde que tive um pesadelo terrível que envolvia precisamente uma varanda agora estou em modo paranoica.
A meio da conversa sobre os preparativos para as férias a minha mãe sai-se com uma: "Se quiseres deixar os cães, nós tomamos conta deles." Hein? Ok, a intenção é boa, e se fossemos uns dias tipo à Eurodisney ou assim até que esfregava as mãos de contente e sei que os cães ficavam na boa mas... tratando-se das férias grandes, indo para um sítio que já é escolhido de propósito a pensar neles... não tem muita lógica... e sobretudo... o que faríamos nós sem os pelos no chão e as lambidelas nos pés descalços??? Eu já acho a casa demasiado silenciosa enquanto o Dono os passeia, quanto mais!
Neste verão iremos. Mas agora além dos cães há que considerar que existe a Danoninha e que naquela casa não está nem remotamente preparada para a receber - a varanda é perigosa, as janelas perigosas são, não há trancas nos armários, nem amortecedores nas esquinas, nem proteção nas tomadas, o gás é de botija, é preciso guardar a lenha da lareira fora de alcance, etc etc etc.
Os meus pais estiveram lá estes dias e por isso aproveitámos para fazer um levantamento e pensar bem nestas questões. Porque quem diz estas férias, diz as próximas, diz as férias que ela fará com os avós, etc.
A minha mãe quer decorar o meu antigo quarto (entretanto ocupo o que era do meu irmão porque tem cama de casal) para ser o quarto da princesa. Mas eu o que quero mesmo é poder ter umas férias sem andar sempre stressada com os perigos - ainda para mais desde que tive um pesadelo terrível que envolvia precisamente uma varanda agora estou em modo paranoica.
A meio da conversa sobre os preparativos para as férias a minha mãe sai-se com uma: "Se quiseres deixar os cães, nós tomamos conta deles." Hein? Ok, a intenção é boa, e se fossemos uns dias tipo à Eurodisney ou assim até que esfregava as mãos de contente e sei que os cães ficavam na boa mas... tratando-se das férias grandes, indo para um sítio que já é escolhido de propósito a pensar neles... não tem muita lógica... e sobretudo... o que faríamos nós sem os pelos no chão e as lambidelas nos pés descalços??? Eu já acho a casa demasiado silenciosa enquanto o Dono os passeia, quanto mais!
03/05/13
Tadinha da minha trenguinha
Ontem fiquei com tanta pena da Emma...
A Danoninha estava a jantar e enxutava-a para não ser toda lambida: "sai daqui, Emma!" .
Então a Emma foi para a sala ter com o Dono, que queria ver o jogo do Benfica em paz (se bem que paz mesmo só a teve quando o jogo acabou) e também a enxutava: "que chata, Emma, sai da frente, deixa-me ver".
Quando a Emma veio ter comigo vinha com um ar tão tristinho... com aqueles olhinhos, sabem? Então lá levou uma dose extra de mimo e pronto. (E eu fiquei com uma dose extra de pelos na roupa - sim, it's that time of the year... again!)
A Danoninha estava a jantar e enxutava-a para não ser toda lambida: "sai daqui, Emma!" .
Então a Emma foi para a sala ter com o Dono, que queria ver o jogo do Benfica em paz (se bem que paz mesmo só a teve quando o jogo acabou) e também a enxutava: "que chata, Emma, sai da frente, deixa-me ver".
Quando a Emma veio ter comigo vinha com um ar tão tristinho... com aqueles olhinhos, sabem? Então lá levou uma dose extra de mimo e pronto. (E eu fiquei com uma dose extra de pelos na roupa - sim, it's that time of the year... again!)
21/04/13
As vergonhas que eu passo...
Então agora volta e meia a Danoninha diz, referindo-se a ela própria pelo nome que ela decidiu adotar como seu, "Ai ai ai ai, a Nena portou mal".
De onde é que ela tirou isto? De tanto ouvir-nos a refilar com... a Emma, claro está!
Eu bem que respondo. "Não, filha, não portaste nada mal. Mesmo que te tivesses portado mal, a mamã gosta sempre de ti."
Mas o certo é que provavelmente ela anda lá pela creche a auto-acusar-se e já devem achar que eu sou uma ditadora...
De onde é que ela tirou isto? De tanto ouvir-nos a refilar com... a Emma, claro está!
Eu bem que respondo. "Não, filha, não portaste nada mal. Mesmo que te tivesses portado mal, a mamã gosta sempre de ti."
Mas o certo é que provavelmente ela anda lá pela creche a auto-acusar-se e já devem achar que eu sou uma ditadora...
18/04/13
Por que é que os cães dormem em posições estranhas?
E por que é que nós nos derretemos sempre com isso?
17/04/13
As melhores desculpas para não ir para a cama
É raro, porque a Danoninha é uma dorminhoca de primeira, mas já tem acontecido a cama dela estar com molas, estão a ver? E nessas alturas todas as desculpas para protelar o "adeus, até amanhã, dorme bem" são boas. As mais habituais prendem-se com coisas que ela precisa MESMO de ir fazer naquela altura e não podem ser deixadas para depois:
- dar um beijinho na bochecha do papá.
- ir fazer xixi e cocozadas ao bacio.
- dar festinhas aos cães.
É o que eu digo: com saídas destas, e a começar tão cedo, não vou conseguir resistir-lhe. Sempre ouvi dizer que os miúdos encontram as nossas fraquezas e exploram-nas. Mas isto é mesmo jogo baixo... :)
- dar um beijinho na bochecha do papá.
- ir fazer xixi e cocozadas ao bacio.
- dar festinhas aos cães.
É o que eu digo: com saídas destas, e a começar tão cedo, não vou conseguir resistir-lhe. Sempre ouvi dizer que os miúdos encontram as nossas fraquezas e exploram-nas. Mas isto é mesmo jogo baixo... :)
16/04/13
Girl power
Uma Dona Mãe que se fala (e escreve) que se farta.
Uma Danoninha que já faz sequências de frases. (Ontem ao jantar: "Não quero mais sopa, mamã. Come tu." - a minha alma fica parva...)
Uma cadela que ladra e choraminga e se abanica e salta e se empoleira e dá a pata e faz olhinhos e sei lá mais o quê, que ela quando quer comunicar está por aí.
Vivam as "mulheres" desta casa! E vivam os tampões para os ouvidos para evitar que o Dono enlouqueça!
08/04/13
Com birras destas quem é que lhe resiste?
Ao contrário do que é costume, ontem a Danoninha acordou da sesta um bocado mal-humorada e quando estávamos a arranjá-la para sair dizia que não queria ir connosco - queria ficar em casa com a Emma e o Sushi. Tivemos tanta vontade de rir que nem imaginam. (E depois fomos os três ao supermercado e ela divertiu-se imenso a dizer o nome de todas as frutas e legumes. As crianças contentam-se com tão pouco...)
06/04/13
A nova palavra é...
"chata"
A Danoninha já dizia que a Emma é "maluquinha" (com direito a espetar o dedinho na testa para fazer o gesto correspondente) e agora aprendeu também a chamá-la de "chata".
- Sai daqui, Emma. Que chata! Vai para a cama!
(Sim, o tempo voa e a minha filha já formula frases completas. E esta é a frase que ela mais nos ouve dizer durante as refeições e que repete tal e qual.)
O problema é quando estou a comê-la com beijos e ela também me chama de chata. Mas verdade seja dita depois vem sempre pedir mais hehehe
A Danoninha já dizia que a Emma é "maluquinha" (com direito a espetar o dedinho na testa para fazer o gesto correspondente) e agora aprendeu também a chamá-la de "chata".
- Sai daqui, Emma. Que chata! Vai para a cama!
(Sim, o tempo voa e a minha filha já formula frases completas. E esta é a frase que ela mais nos ouve dizer durante as refeições e que repete tal e qual.)
O problema é quando estou a comê-la com beijos e ela também me chama de chata. Mas verdade seja dita depois vem sempre pedir mais hehehe
04/04/13
03/04/13
Primeiras impressões
Está a fazer um ano do nosso grande susto com a Emma. Está a fazer um ano que o cão da minha chefe morreu.
E sei disso porque está a fazer um ano que estou neste emprego e a razão pela qual comecei a trabalhar numa 3ª feira à tarde e não logo na 2ª de manhã foi porque a minha chefe me disse que não tinha cabeça para estar presente a dar-me boas-vindas quando tinha o cão a morrer.
E, além de ter achado uma coincidência bizarra - à que se junta outra: o facto de a filha dela ter o mesmo nome que a minha cadela -, lembro-me que isso me fez gostar logo mais dela. Tal como tinha gostado do tio dela (para quem trabalhara desde antes de engravidar mas por altura de eu regressar da baixa + licença já ele tinha vendido a empresa, para minha grande infelicidade porque detestei o novo dono), desde que nos conhecêramos na entrevista de emprego, com um gato a dormir em cima do meu CV...
E sei disso porque está a fazer um ano que estou neste emprego e a razão pela qual comecei a trabalhar numa 3ª feira à tarde e não logo na 2ª de manhã foi porque a minha chefe me disse que não tinha cabeça para estar presente a dar-me boas-vindas quando tinha o cão a morrer.
E, além de ter achado uma coincidência bizarra - à que se junta outra: o facto de a filha dela ter o mesmo nome que a minha cadela -, lembro-me que isso me fez gostar logo mais dela. Tal como tinha gostado do tio dela (para quem trabalhara desde antes de engravidar mas por altura de eu regressar da baixa + licença já ele tinha vendido a empresa, para minha grande infelicidade porque detestei o novo dono), desde que nos conhecêramos na entrevista de emprego, com um gato a dormir em cima do meu CV...
02/04/13
Arejar a casa
Já tentei chamar o bom tempo de todas as formas que me ocorreu, agora decidi fazer uma limpeza geral aqui no blog, incluindo mudar a cor do fundo para uma mais primaveril, portanto pode ser que as minhas "preces" sejam ouvidas (e atendidas).
Aproveitei para limpar a barra direita (juro que comecei a escrever esquerda, será que algum dia vou atinar com a lateralidade???) simplesmente porque deixei de achar graça a ter tanta "bugiganga" e no espírito less is more também tirei do blog roll alguns blogs que já tinham cotão. Eu bem sei que não tenho sido muito assídua mas nunca fiquei um ano inteiro sem escrever por aqui algumas linhas... Mesmo assim, houve uns quantos que bem me custou apagar - afinal, temos sempre uns preferidos e ainda me lembro de quando os espreitava todos os dias. Fico sempre a pensar o que será feito dessa malta. Deixaram de ter tempo / paciência para bloggar? Deixaram de ter coisas para dizer? (E isso é possível???)
Aproveitei para limpar a barra direita (juro que comecei a escrever esquerda, será que algum dia vou atinar com a lateralidade???) simplesmente porque deixei de achar graça a ter tanta "bugiganga" e no espírito less is more também tirei do blog roll alguns blogs que já tinham cotão. Eu bem sei que não tenho sido muito assídua mas nunca fiquei um ano inteiro sem escrever por aqui algumas linhas... Mesmo assim, houve uns quantos que bem me custou apagar - afinal, temos sempre uns preferidos e ainda me lembro de quando os espreitava todos os dias. Fico sempre a pensar o que será feito dessa malta. Deixaram de ter tempo / paciência para bloggar? Deixaram de ter coisas para dizer? (E isso é possível???)
01/04/13
A liberdade vem com responsabilidade... e com a idade?
Há 3 razões pelas quais não passeamos os nossos cães sem trela:
- essencialmente porque aterrorizam o bairro inteiro (a Emma salta para cima de pessoas acabado por as derrubar, já para não falar em sujar, e o Sushi mostra o seu lado Frankenstein sempre que há outros cães por perto)
- entram em modo aspirador e devoram tudo o que puderem (ração deixada para os gatos vadios, restos de comida que eventualmente estejam pelo chão, cocós que desenterram, enfim... basicamente tudo)
- só o Sushi volta para casa... e mesmo assim... anda a aprender com a mana e faz-se um bocado de surdo
Bom, e também porque é proibido e não nos queremos meter em alhadas (vide ponto nº 1).
Mas na semana passada, mais concretamente na véspera do 6º aniversário da Emma, quando o Dono estava a passeá-los cruzou-se com um labrador chocolate ainda cachorrito e como os cães estavam a brincar todos tão divertidos ele não teve remédio senão tirar-lhes a trela para não ficar tudo enrodilhado. Conformado com a ideia de que a Emma iria bater em retirada, o Dono decidiu, com aquela calma que só ele, vir deixar o Sushi a casa e aproveitar para apanhar as chaves do carro para ir atrás dela - como teve de fazer no passado várias (todas) vezes. Pois para seu grande espanto (e meu, quando ele me contou), não é que a Emma voluntariamente o seguiu para casa? Uau uau uau, mas que grande sinal de maturidade. Que esperança ao fundo do túnel. Que maravilha!!!
Até que, no dia seguinte, ou melhor, na madrugada seguinte, já bem tarde (ou bem cedo, depende do ponto de vista), o bairro vazio e silencioso e a dormir, quando a chuva deu tréguas e o Dono os levou a passear e, inspirado pelo bom comportamento da véspera, achou que como prenda de anos para a Emma seria giro soltá-los... acabou por ter de voltar a casa para deixar o Sushi e apanhar as chaves do carro.
I rest my case.
- essencialmente porque aterrorizam o bairro inteiro (a Emma salta para cima de pessoas acabado por as derrubar, já para não falar em sujar, e o Sushi mostra o seu lado Frankenstein sempre que há outros cães por perto)
- entram em modo aspirador e devoram tudo o que puderem (ração deixada para os gatos vadios, restos de comida que eventualmente estejam pelo chão, cocós que desenterram, enfim... basicamente tudo)
- só o Sushi volta para casa... e mesmo assim... anda a aprender com a mana e faz-se um bocado de surdo
Bom, e também porque é proibido e não nos queremos meter em alhadas (vide ponto nº 1).
Mas na semana passada, mais concretamente na véspera do 6º aniversário da Emma, quando o Dono estava a passeá-los cruzou-se com um labrador chocolate ainda cachorrito e como os cães estavam a brincar todos tão divertidos ele não teve remédio senão tirar-lhes a trela para não ficar tudo enrodilhado. Conformado com a ideia de que a Emma iria bater em retirada, o Dono decidiu, com aquela calma que só ele, vir deixar o Sushi a casa e aproveitar para apanhar as chaves do carro para ir atrás dela - como teve de fazer no passado várias (todas) vezes. Pois para seu grande espanto (e meu, quando ele me contou), não é que a Emma voluntariamente o seguiu para casa? Uau uau uau, mas que grande sinal de maturidade. Que esperança ao fundo do túnel. Que maravilha!!!
Até que, no dia seguinte, ou melhor, na madrugada seguinte, já bem tarde (ou bem cedo, depende do ponto de vista), o bairro vazio e silencioso e a dormir, quando a chuva deu tréguas e o Dono os levou a passear e, inspirado pelo bom comportamento da véspera, achou que como prenda de anos para a Emma seria giro soltá-los... acabou por ter de voltar a casa para deixar o Sushi e apanhar as chaves do carro.
I rest my case.
20/03/13
Coleiras
Então ao que parece se não for paralisia facial poderá ser síndrome de Horner, o que seria melhor porque é passageiro. Há suspeitas que o uso de estrangulador seja prejudicial para o estado em que o Sushi continua (com um dos olhos descaído como um "hush puppies") e por isso nunca mais voltámos a usar. Aliás, normalmente usamos peitorais, só que quando chove dá mais jeito a coleira estranguladora porque escusa de ficar o peitoral todo molhado e sujo.
A solução foi finalmente comprar umas coleiras normais - com tanta coisa que ao longo dos anos já comprámos a estes cães, eles nunca tinham tido verdadeiramente coleiras porque sempre achámos feio ficarem com marcas no pelo e gostamos que tenham liberdade quando estão em casa. Tinham as correntes estranguladoras com chapa identificativa que só usávamos, como disse, para passeios à chuva, ou então durante as férias - porque fora do nosso bairro ninguém os conhece e faço questão que estejam bem identificados. Chip ou não chip, é tudo tão mais fácil e rápido se os animais têm uma placa ao pescoço.
Portanto, entre aniversários e dias do pai, os cães também ganharam uma prenda. (Fica prometida uma foto para vocês matarem saudades.)
A solução foi finalmente comprar umas coleiras normais - com tanta coisa que ao longo dos anos já comprámos a estes cães, eles nunca tinham tido verdadeiramente coleiras porque sempre achámos feio ficarem com marcas no pelo e gostamos que tenham liberdade quando estão em casa. Tinham as correntes estranguladoras com chapa identificativa que só usávamos, como disse, para passeios à chuva, ou então durante as férias - porque fora do nosso bairro ninguém os conhece e faço questão que estejam bem identificados. Chip ou não chip, é tudo tão mais fácil e rápido se os animais têm uma placa ao pescoço.
Portanto, entre aniversários e dias do pai, os cães também ganharam uma prenda. (Fica prometida uma foto para vocês matarem saudades.)
19/03/13
Há dois anos...
Acordei com uma sensação esquisita, desconhecida.
O Dono disse: "Precisas é de comer qualquer coisa, vou preparar-te o pequeno-almoço." (O homem conhece-me bem, o que posso dizer?)
Eu fui à casa de banho. Era um caminho que conhecia bem, era o único que tinha percorrido nos últimos meses, acamada que estava desde muito cedo na gravidez, e percorrera-o tantas vezes como só as grávidas que me estiverem a ler compreenderão. E eu nesse dia estava já muito grávida, tão grávida que não via os pés, tão grávida que tinha uma cesariana marcada para daí a 48 horas.
Não demorou muito até que percebesse que algo estava a acontecer. Não há cena de filme nem curso de pós parto que realmente nos prepare para quando chega a nossa vez, mas ajudam. Chamei o Dono: "Cancela o pequeno-almoço, rebentaram-me as águas."
Houve um pequeno instante de "Não era suposto ser assim", acho até que choraminguei e deitei as mãos à cabeça. Afinal, tinha passado os últimos meses a servir de incubadora, quietinha numa cama para a pipoca não saltar cedo demais, e depois passara as últimas semanas a dar voltas à cabeça para escolher uma data para a cesariana porque a pipoca não poderia nascer de parto natural, e portanto achava que as coisas deveriam ser de uma certa maneira que não aquela. E além disso a culpa era das hormonas. A culpa é sempre das hormonas, ok?
Ali, na casa de banho, na mesma casa de banho onde tínhamos descoberto juntos que íamos (finalmente) trazer uma vida ao mundo, descobrimos que esse momento tinha chegado. O Dono abraçou-me emocionado, tal como uns meses antes, e disse. "Mas é assim que vai ser e vai ser espetacular."
E foi. Tem sido. E vai continuar a ser.
Ele ajudou-me a vestir-me e a calçar-me (um pormenor importante), depois eu fui fazer uns telefonemas. Primeiro para a maternidade conforme tinha sido instruída a fazer se entrasse em trabalho de parto antes da data da cesariana, para que pudessem mobilizar a equipa para uma cesariana de emergência. Depois para o meu obstetra, que me tinha avisado que aos fins de semana estava sempre fora de Lisboa e precisava do máximo aviso prévio para chegar a tempo. Depois para a minha mãe, que estava a fazer arroz doce para o almoço do Dia do Pai que estava marcado. Depois para a minha sogra, para a avisar que o almoço do Dia do Pai teria de ser no hospital. Depois reuni os últimos exames e pu-los ao pé da mala há muito preparada, repreparada, mexida e remexida, cheia de roupinhas cor de rosa e botinhas tricotadas com amor e sonhos e princípios.
O que fez o Dono no entretanto? Passeou os cães, claro.
Bom, e também forrou o banco do carro com sacos do lixo. Porque nunca conheci ninguém tão calmo em momentos de stress, e tão prático... e tão cocózinho com o carro. E porque no curso pré-parto nos tinham dito que o líquido amniótico cheirava a esperma (mas eu acho que cheira a lixívia).
E depois demos umas festinhas aos cães e fomos conhecer a Danoninha.
O Dono conduziu que nem um doido, até porque as contrações entretanto começaram, em força e pouco espaçadas, do género "vou ter a bebé mesmo aqui". Eu morria de vergonha pelas manobras que ele fazia e punha-me a fazer aquelas respirações do parto na esperança que as pessoas nos outros carros percebessem que não éramos doidos, éramos apenas grávidos em trabalho de parto.
Soube depois que os meus pais e os meus sogros também fizeram algumas manobras pouco recomendáveis, mas avós que se prezam estão na sala de espera histéricos, não é verdade?
Do parto propriamente dito só tenho boas recordações. O anestesista tinha uma toca com pegadas de animais, o que imediatamente me fez desatar a falar sobre os cães. Depois ele pôs música clássica, o que me imediatamente me fez refilar, até que ele pôs Muse. Sim, a Danoninha nasceu ao som de Muse.
Eu falei sobre TUDO o tempo TODO.
Escusado será dizer que, numa maternidade pequenina onde só havia mais 2 ou 3 grávidas penso eu, no dia seguinte já toda a gente sabia quem eu era. Era a tagarela, com a filhota de lindos casacos tricotados à mão e muitas visitas enfiadas no quarto.
Nos dias em que fiquei internada na maternidade, o Dono nunca ficou lá connosco para que os cães não ficassem sozinhos e os seus horários de passeio e alimentação fossem alterados ao mínimo. Todos os dias quando se ia embora o Dono levava peças de roupa sujas da bebé para dar-lhes a cheirar e depois espalhar pela casa para criar habituação, tal como nos tinham aconselhado.
E sim, deve ter-lhe custado imenso não poder lá ficar connosco. E sim, a Emma substituiu-me na cama.
Fomos para casa no dia 22, o Dono levava a Danoninha no ovo e eu entrei primeiro e os cães fizeram-me uma grande festa. Depois pousámos o ovo e deixámos que eles conhecessem a minúscula bebé à maneira deles. O Sushi nunca ligou nem stressou muito, e formulámos a teoria de que na vida anterior dele (a vida que teve antes de ser nosso e da qual nada sabemos) já tinha convivido com crianças. A Emma ficava agitada com o choro, vinha-nos chamar, quase que revistava as visitas que chegavam. Fiéis a si próprios, portanto.
Passaram-se dois anos e a Danoninha tem crescido linda, esperta e saudável. Pergunta pelos cães, faz-lhes festinhas, refila com eles. No mundo dela nem sequer se concebe outra realidade que não a de ter dois monstrengos a coabitar com ela e a mamã e o papá. Eles fazem parte do dia a dia, das coisas que lhe ensinamos, dos valores, responsabilidades, enfim... da vida em família.
Ter filhos e cães não é nenhum drama. Exige alguma ginástica, para conciliar horários, passeios, atenção, limpeza, brinquedos. Mas não é nenhum drama. É, aliás, muito muito muito muito FIXE!
O Dono disse: "Precisas é de comer qualquer coisa, vou preparar-te o pequeno-almoço." (O homem conhece-me bem, o que posso dizer?)
Eu fui à casa de banho. Era um caminho que conhecia bem, era o único que tinha percorrido nos últimos meses, acamada que estava desde muito cedo na gravidez, e percorrera-o tantas vezes como só as grávidas que me estiverem a ler compreenderão. E eu nesse dia estava já muito grávida, tão grávida que não via os pés, tão grávida que tinha uma cesariana marcada para daí a 48 horas.
Não demorou muito até que percebesse que algo estava a acontecer. Não há cena de filme nem curso de pós parto que realmente nos prepare para quando chega a nossa vez, mas ajudam. Chamei o Dono: "Cancela o pequeno-almoço, rebentaram-me as águas."
Houve um pequeno instante de "Não era suposto ser assim", acho até que choraminguei e deitei as mãos à cabeça. Afinal, tinha passado os últimos meses a servir de incubadora, quietinha numa cama para a pipoca não saltar cedo demais, e depois passara as últimas semanas a dar voltas à cabeça para escolher uma data para a cesariana porque a pipoca não poderia nascer de parto natural, e portanto achava que as coisas deveriam ser de uma certa maneira que não aquela. E além disso a culpa era das hormonas. A culpa é sempre das hormonas, ok?
Ali, na casa de banho, na mesma casa de banho onde tínhamos descoberto juntos que íamos (finalmente) trazer uma vida ao mundo, descobrimos que esse momento tinha chegado. O Dono abraçou-me emocionado, tal como uns meses antes, e disse. "Mas é assim que vai ser e vai ser espetacular."
E foi. Tem sido. E vai continuar a ser.
Ele ajudou-me a vestir-me e a calçar-me (um pormenor importante), depois eu fui fazer uns telefonemas. Primeiro para a maternidade conforme tinha sido instruída a fazer se entrasse em trabalho de parto antes da data da cesariana, para que pudessem mobilizar a equipa para uma cesariana de emergência. Depois para o meu obstetra, que me tinha avisado que aos fins de semana estava sempre fora de Lisboa e precisava do máximo aviso prévio para chegar a tempo. Depois para a minha mãe, que estava a fazer arroz doce para o almoço do Dia do Pai que estava marcado. Depois para a minha sogra, para a avisar que o almoço do Dia do Pai teria de ser no hospital. Depois reuni os últimos exames e pu-los ao pé da mala há muito preparada, repreparada, mexida e remexida, cheia de roupinhas cor de rosa e botinhas tricotadas com amor e sonhos e princípios.
O que fez o Dono no entretanto? Passeou os cães, claro.
Bom, e também forrou o banco do carro com sacos do lixo. Porque nunca conheci ninguém tão calmo em momentos de stress, e tão prático... e tão cocózinho com o carro. E porque no curso pré-parto nos tinham dito que o líquido amniótico cheirava a esperma (mas eu acho que cheira a lixívia).
E depois demos umas festinhas aos cães e fomos conhecer a Danoninha.
O Dono conduziu que nem um doido, até porque as contrações entretanto começaram, em força e pouco espaçadas, do género "vou ter a bebé mesmo aqui". Eu morria de vergonha pelas manobras que ele fazia e punha-me a fazer aquelas respirações do parto na esperança que as pessoas nos outros carros percebessem que não éramos doidos, éramos apenas grávidos em trabalho de parto.
Soube depois que os meus pais e os meus sogros também fizeram algumas manobras pouco recomendáveis, mas avós que se prezam estão na sala de espera histéricos, não é verdade?
Do parto propriamente dito só tenho boas recordações. O anestesista tinha uma toca com pegadas de animais, o que imediatamente me fez desatar a falar sobre os cães. Depois ele pôs música clássica, o que me imediatamente me fez refilar, até que ele pôs Muse. Sim, a Danoninha nasceu ao som de Muse.
Eu falei sobre TUDO o tempo TODO.
Escusado será dizer que, numa maternidade pequenina onde só havia mais 2 ou 3 grávidas penso eu, no dia seguinte já toda a gente sabia quem eu era. Era a tagarela, com a filhota de lindos casacos tricotados à mão e muitas visitas enfiadas no quarto.
Nos dias em que fiquei internada na maternidade, o Dono nunca ficou lá connosco para que os cães não ficassem sozinhos e os seus horários de passeio e alimentação fossem alterados ao mínimo. Todos os dias quando se ia embora o Dono levava peças de roupa sujas da bebé para dar-lhes a cheirar e depois espalhar pela casa para criar habituação, tal como nos tinham aconselhado.
E sim, deve ter-lhe custado imenso não poder lá ficar connosco. E sim, a Emma substituiu-me na cama.
Fomos para casa no dia 22, o Dono levava a Danoninha no ovo e eu entrei primeiro e os cães fizeram-me uma grande festa. Depois pousámos o ovo e deixámos que eles conhecessem a minúscula bebé à maneira deles. O Sushi nunca ligou nem stressou muito, e formulámos a teoria de que na vida anterior dele (a vida que teve antes de ser nosso e da qual nada sabemos) já tinha convivido com crianças. A Emma ficava agitada com o choro, vinha-nos chamar, quase que revistava as visitas que chegavam. Fiéis a si próprios, portanto.
Passaram-se dois anos e a Danoninha tem crescido linda, esperta e saudável. Pergunta pelos cães, faz-lhes festinhas, refila com eles. No mundo dela nem sequer se concebe outra realidade que não a de ter dois monstrengos a coabitar com ela e a mamã e o papá. Eles fazem parte do dia a dia, das coisas que lhe ensinamos, dos valores, responsabilidades, enfim... da vida em família.
Ter filhos e cães não é nenhum drama. Exige alguma ginástica, para conciliar horários, passeios, atenção, limpeza, brinquedos. Mas não é nenhum drama. É, aliás, muito muito muito muito FIXE!
18/03/13
As coisas tolas de que gostamos uns nos outros - Sushi
coisas tolas de que gosto no Sushi:
que se roce em nós como um gato
o barulho que faz quando boceja e que lhe valeu a alcunha de hipopótamo, embora eu não saiba que tipo de barulho os hipopótamos fazem
a força bruta... e a meiguice
quando pede autorização para subir para o sofá
que goste de maçãs (e tudo o que eu estivesse disposta a dar-lhe)
que se roce em nós como um gato
o barulho que faz quando boceja e que lhe valeu a alcunha de hipopótamo, embora eu não saiba que tipo de barulho os hipopótamos fazem
a força bruta... e a meiguice
quando pede autorização para subir para o sofá
que goste de maçãs (e tudo o que eu estivesse disposta a dar-lhe)
17/03/13
As coisas tolas de que gostamos uns nos outros - Emma
coisas tolas de que gosto na Emma:
as pestanas loiras
o "ronronar" quando lhe coçamos os quadris
a beijoquice
a maneira escarrapachada como se senta, apesar de ser por causa da displasia...
as posições em que dorme
o facto de ser só uma mas encher tanto a casa
as pestanas loiras
o "ronronar" quando lhe coçamos os quadris
a beijoquice
a maneira escarrapachada como se senta, apesar de ser por causa da displasia...
as posições em que dorme
o facto de ser só uma mas encher tanto a casa
15/03/13
O tempo voa... e à velocidade supersónica!
Em preparativos para o 2º aniversário da Danoninha (e com direito a prendas também para o papá, o meu pai e o meu sogro), o 31º do Dono, o 6º da Emma, o 66º do meu pai e o 54º da minha sogra... ai que eu vou mas é à falência!
14/03/13
As coisas tolas de que gostamos uns nos outros - Danoninha
coisas tolas de que gosto na minha filha:
que se descalce e cruze os pés quando está na cadeira de papa
que pergunte pelos cães
que goste de livros
que acorde sempre bem disposta
que ande a cantarolar pela casa
que veja bem ao longe
que tenha chicha para eu dar beijinhos
que goste das macacadas todas que o pai lhe faz e ainda peça mais
que tenha as minhas pestanas (podia até nem ter mais nada meu)
que se descalce e cruze os pés quando está na cadeira de papa
que pergunte pelos cães
que goste de livros
que acorde sempre bem disposta
que ande a cantarolar pela casa
que veja bem ao longe
que tenha chicha para eu dar beijinhos
que goste das macacadas todas que o pai lhe faz e ainda peça mais
que tenha as minhas pestanas (podia até nem ter mais nada meu)
11/03/13
Paralisia facial
O Sushi apresenta indícios de paralisia facial. Não consigo descrever isto melhor do que dizendo que o olho esquerdo parece o de um basset hound. Faz um bocado de impressão, por ser só o esquerdo, e por não ser o normal nele, que até tem uns olhos rasgados tão bonitos... tão... orientais como o nome!
O vet diz que ele não sofre, first things first. E diz que pode passar com a injeção que ele hoje levou, mas também que pode piorar - que a seguir ao olho, poderá ser a boca, a orelha, o focinho. E que não poderemos fazer nada.
E diz também que não tem a ver com stress, nem com a idade. E que não é grave, nem o afeta em grande medida (não lhe tira a visão completamente, nem lhe causará perda de audição se ficar com isto na orelha, por exemplo).
E portanto aconteça o que acontecer é amá-lo igualmente. Mesmo que a cara dele não esteja igual. Mesmo que pareça que teve uma trombose, mesmo que se babe todo, mesmo que tenha dificuldade em mastigar.
É o melhor cão do mundo, o nosso. E cada vez mais penso no princípio do fim.
O vet diz que ele não sofre, first things first. E diz que pode passar com a injeção que ele hoje levou, mas também que pode piorar - que a seguir ao olho, poderá ser a boca, a orelha, o focinho. E que não poderemos fazer nada.
E diz também que não tem a ver com stress, nem com a idade. E que não é grave, nem o afeta em grande medida (não lhe tira a visão completamente, nem lhe causará perda de audição se ficar com isto na orelha, por exemplo).
E portanto aconteça o que acontecer é amá-lo igualmente. Mesmo que a cara dele não esteja igual. Mesmo que pareça que teve uma trombose, mesmo que se babe todo, mesmo que tenha dificuldade em mastigar.
É o melhor cão do mundo, o nosso. E cada vez mais penso no princípio do fim.
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